eu sou o homem-aranha. com minhas super-teias, meu poder é não conseguir fugir das imagens mentais alienígenas. não pense sobre o pão, luisa, ou vão dizer que você inda está com fome, mesmo você estando satisfeita. não olhe para a manteiga, luisa, ou vão dizer que você acha a marca vagabunda, mesmo você sendo anticapitalista. não olhe ninguém nos olhos, ou você vai passar o vírus adiante. e já basta de pessoas morrendo por sua causa. eu queria ser o flash e ter o poder de ser mais rápida que meus pensamentos, mas nem fugindo deles eu estaria bem.
eu sou muito boa visualizadora, e sou apaixonada por visualizações de todos os tipos. meu sonho é visualizar um sonho e sonhá-lo de fato. para mim tudo na espiritualidade é uma questão de visualização. exemplo: é preciso visualizar-se estando em comunhão com cristo para estar em comunhão com cristo, visto que não existe um cristo material para estarmos em comunhão com ele.  toda força de visualização é uma dissociação positiva em potencial. é afastar-se do sou para tornar-se um vir-a-ser bom. 

um narcisista jamais aceitará que alguém pareça a si em nada melhor que ele. um narcisista jamais permitirá que um visualizador visualize & projete-se ao mesmo tempo. se um visualizador, na infância, notar-se projetando imagens dentro de si mesmo e declarar isso mentalmente, seu irmão narcisista projetor astral vejo-todos-pensando-porque-posso-e-me-apetece jamais o deixará em paz, tentando descobrir de que maneira a sua retroprojeção é melhor que a projeção astral (uma anteroprojeção). surge, então, um visualizador esquizóide. que alucinará visual e/ou auditiva e/ou tactilmente e, dormindo, passará a ter retrovisões (premonições) de pensamentos que não são seus, e que por muitos anos parecerão deja vus, e passarão a ser deja entedus, deja pensee, e tudo o que mais houver de repetido no mundo. suas alucinações primeiro serão sentidas como compulsões comportamentais e ele pagará o alto preço por não notá-las e seguí-las, crente de que elas e ele são um ser só. 

e no final, pior que tudo, é que ainda haverá um emprego a trabalhar, uma casa a sustentar, e então, depois de 22, 25, 28 anos, o quê na sua vida foi realmente uma escolha (e não um ato de compulsão)? será que sua profissão o satisfaz? quais rumos sua vida não tomou? 

a visualização, nesses momentos, é uma habilidade ruim, #assediadorpsiquico #viajantedotempo.
era uma vez um falso monge franciscano que roubou um fio do cabelo do diabo. depois de lapidar a peça com as parcas gregas, entendedoras de desgraçar a vida alheia ao bem-lhe-quer do capeta, ele veio me vender a peça, como se ela fosse nova. eu lhe disse que com isso eu não bordava nem um pano de bunda que servisse pra suster minha vida. ainda mais esse, que já andou todo enrolado em meu cordão de prata.  

foi mal o non-sense, é um mito esquizofrênico sobre minha existência.
o que me surta é o ultraje durante uma alucinação. ultraje, por si, já é uma sensação que  retrai a gente. imagine, então, em estado introspectivo, não ter mais para onde fugir dentro de si. a única saída está do lado de fora. por isso falo sozinha, por isso grito. por não há mais como calar para o lado de dentro, senão falando para fora.
é desta inclinação natural da minha libido (o desejo de estar em movimento de aprendizado e re-conversões) que surge o desafio cotidiano do estar assediada. meu vampiro pessoal é fascinado pela minha inteligência psíquica, e ama desfazer de meus esforços para ser ordinária (no sentido material: ter uma carreira, conviver bem com minha família) provocando-me através de frustrações constantes da minha expectativa de viver em paz comigo e com o Outro. esse ultrajar constante é o que me leva à guerra, como já detalhei. mas o roubo intelectual é também um roubo de existência íntima. quanto mais fundo eu vou no saber sobre o inconsciente em busca de mim, mais ele tenta usar esse novo saber para reforçar sua própria maldade. e é como vestir de puta uma santa, a fantasia simplesmente não cabe. e eu rio, enquanto me preocupo de um dia ele realmente conseguir cruzar mais uma vez esse limite. 


a dissociação é como se eu, programa principal da memória RAM, fosse colocada para rodar em segunda prioridade enquanto em primeira prioridade fosse rodado o programa de outra pessoa. aí eu tenho que esperar o outro programa terminar de rodar pra poder voltar a ser 'rodada' também. só que as coisas que esse programa alienígena fala sobre mim dentro de mim são sempre negativas e pejorativas a meu respeito, inclusive em suas ofensas táteis (excitação sexual por cenas da TV, interesse por outros homens que eu em meu programa defini como bonito/atraente por qualquer  atributo). quando eu volto a ser rodada, a consequência das coisas que ele disse ficam para mim, porque até minha voz mental é o que fica aparente socialmente. 

alucinação é o fenômeno de ouvir/ver/sentir o que não está lá. quando, no entanto, meu pensamento consciente não consegue, por vias lógicas não acreditar no que  a alucinação propõe, então se instaura um delírio. não é mera questão de lembrar-me ou não do fato de loucura, porque mentir pra mim mesma não desfaz a crença. a crença se instaura emocionalmente e, simplesmente por dizer "Luisa, isso são coisas da sua cabeça" não desfaz a certeza convicta em meu coração que se constrói em estado delirante.

o maior delírio humano é o preconceito. 
primeiro me disseram que se eu parasse de pensar mal do outro, meu problema passaria. eu me eximi de criticar o outro e nada mudou. depois me disseram que se eu fosse compassiva, meu problema passaria. eu passei a perdoar os erros do outro, e nada mudou. depois me disseram que se eu amasse mesmo aos meus inimigos, meu problema passaria. eu dei a outra face, e não passou. depois disseram que eu deveria ignorar todas as críticas e acusações, e meu problema passaria. eu exercitei, tentei ignorar, e não passou. 

porque meu problema só vai ter fim quando eles puderem passar através de mim. ser invisível não é suficiente. é preciso ser o real fantasma de mim. 

meu problema com o raciocínio matemático é que quando eu olho para um problema matemático eu necessariamente tenho de fixar minha atenção na forma geométrica ou nos números envolvidos. a pessoa que está atrás da minha mente se fixa também e minha mente se dissocia; enquanto a mente da outra pessoa raciocina sobre o problema, lá na vida dela, onde meu problema não tem a menor importância e é apenas uma curiosidade, um literal exercício do raciocínio, eu fico paralizada sem conseguir argumentar uma solução lógica sequer.